A decisão que mais estranha, e a que faz a mesa funcionar.
Ninguém escolhe ninguém por uma fotografia aqui — nem antes, nem durante, nem depois.
A razão não é pudor: é que a fotografia muda o que a conversa é. Assim que há retratos, entra-se obrigatoriamente no julgamento, e a mesa passa a ser uma sala de espera onde cada pessoa está a decidir sobre as outras em vez de falar com elas.
Sem retratos, a primeira coisa que se sabe de alguém é o que essa pessoa disse — e isso chega a toda a gente ao mesmo tempo, à mesa.
Também não há perfis para navegar. Não se procura ninguém nesta aplicação; senta-se a uma mesa e conhece-se quem lá está.
O que se revela, quando, e o que isso protege.
O restaurante aparece no próprio dia. Quem vai estar consigo, também. O número da mesa, uma hora antes.
Dito cedo demais, a mesa deixa de ser uma noite e passa a ser um plano — e um plano desmarca-se. Dito à hora certa, a espera faz parte da coisa: há alguma coisa por saber até ao fim.
O balcão e a corrida são a excepção, de propósito: aí o sítio diz-se logo, porque quem decide aparecer às nove e meia da noite precisa de saber onde é.
Nada disto está escondido só no ecrã. O servidor não envia o restaurante antes da hora — não há nada para descobrir espreitando.
Quem reserva tem lugar; a escada diz quem passa à frente.
Quem reserva tem lugar. A Cafeteria organiza as inscrições e escolhe o restaurante: a reserva lá é para seis e, se confirmar mais gente, o restaurante prepara mais lugares na hora.
Se houver espera, passa à frente quem cumpriu mais etapas na aplicação: instalar, ligar as notificações, dizer que vai e responder «vou» na véspera.
Queremos mesas equilibradas entre homens e mulheres, e acompanhamos isso — mas ninguém fica de fora por causa disso.
As respostas do registo não decidem quem se senta consigo: servem para conhecermos quem vem e melhorarmos os encontros.
A parte que assusta, e o que fazer com ela.
Chegue cinco minutos antes e diga no balcão que é a mesa da Cafeteria. Não é preciso procurar ninguém: a mesa está marcada.
Vai chegar antes de alguém, ou depois de todos. Nos dois casos há uma coisa que resolve o silêncio inicial melhor do que qualquer conselho: perguntar como foi a semana de quem está ao lado, e ouvir a resposta inteira.
Se a conversa encalhar a meio, a aplicação abre um jogo de perguntas meia hora depois do início. Não é para preparar em casa — é para desencalhar à mesa, e é por isso que só abre lá.
Ninguém sabe o que respondeu no registo. As respostas servem para conhecermos quem vem, e ficam entre si e nós.
O que é por nossa conta, e o que se paga lá.
As três primeiras mesas são por nossa conta. Para reservar a partir da quarta, é necessária a assinatura de R$ 5,99 por mês, paga no início do período.
A conta do jantar é à parte e paga-se lá, como em qualquer jantar. Dizemos à cabeça quanto se espera gastar, para não haver descoberta à mesa.
Não há cobrança por mesa.
O que acontece no dia seguinte, e porquê nessa ordem.
No dia seguinte perguntamos como correu. Primeiro se foi — para não fazer ninguém falar de uma noite que não viu.
Depois pedimos impressões sobre quem esteve consigo. Devolvemos quantas pessoas disseram cada coisa a seu respeito, nunca quais: saber que duas pessoas acharam que as fez sentir-se ouvidas é bom; saber quais transformaria um elogio num juízo.
A conversa da mesa fica aberta. Não depende de escolhas mútuas nem de ninguém o autorizar — quem esteve à mesa, entra.
No fim perguntamos a toda a gente se correu tudo bem. A toda a gente, e não só a quem procura o sítio de se queixar. O que se escrever aí é privado e nunca chega à pessoa de quem se fala.